'Psicólogo António Carlos Alves de Araujo'
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TRISTEZA: ASPECTOS PSICOLÓGICOS DE SUAS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS



"Talvez o ponto de maior sofrimento deste sentimento, seja o aspecto temporal, pois a tristeza sempre nos coloca a dúvida pessoal de quanto tempo ainda nos resta para buscarmos a felicidade, já que até agora temos fracassado. A essência deste processo é uma dívida eterna em relação ao passado, e é exatamente o que a tristeza manifesta na sua totalidade".-ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.


É impressionante como a literatura psicológica sempre abordou temas muitas vezes minuciosos do comportamento humano, em detrimento de pontos centrais das emoções humanas. A tristeza se insere neste contexto citado, pois há uma carência de trabalhos sobre o tema. Gostaria de iniciar, traçando uma importante diferença entre tristeza e depressão. A primeira é um estado emocional intrínseco a todo e qualquer ser humano, privado de determinada satisfação pessoal e emocional. É uma reação do organismo quando o mesmo se depara profundamente com sua fragilidade. A depressão é um processo cristalizado de vingança e raiva internalizados na pessoa, é a tentativa de devolver o "pior" de si mesmo para o meio circundante.

A raiva citada é devolvida de forma indireta, através da escassez absoluta de vitalidade e energia. É forçar constantemente que o ambiente cuide inteiramente da pessoa, regredindo a um estágio infantilizado de amparo constante. A depressão é uma mensagem constante da eternidade da mágoa; é um ritual obsessivo e diário que diz da desistência perante novas jornadas ou desafios. É uma parada total e voluntária diante da busca do prazer, o trocando pelo tormento pessoal, contaminando totalmente o ambiente à sua volta.

A tristeza não chega aos limites extremos citados no processo da depressão, pelo contrário, pode ser um elemento valioso para a avaliação de toda uma meta de vida. Desde os primeiros anos da infância, todo o ser humano sentirá a emoção citada. Diria que o modo como uma criança elabora a tristeza, é que definirá sua futura personalidade; podendo se tornar uma pessoa carente, tímida, ou um ser independente;que aprendeu a criar em cima dos obstáculos. Sem dúvida a tristeza é o divisor das águas que definirá o tipo de pessoa que vamos nos tornar.

Infelizmente nossa cultura não valoriza o aspecto emotivo do ser humano, assim sendo, a criança cresce não valorizando seu aspecto emocional, ficando apenas com o trauma ou complexo de inferioridade por ser dependente economicamente ou afetivamente. Se os pais deram a vida à criança, a dívida já está paga, pois a mesma veio ao mundo também para salvar os mesmos. Isto ocorre a partir do momento que a criança começa a reproduzir antigas neuroses familiares não resolvidas, na tentativa de mostrar aos pais que estes tem uma tarefa inacabada para cumprir. Sob esta ótica, são os pais que dependem dos filhos para enxergar aquilo que precisa ser reparado, do contrário, todos viverão em eterno conflito. Se todos pudessem perceber o exposto acima, haveria uma verdadeira revolução no contexto familiar e social.

Talvez o ponto de maior sofrimento deste sentimento, seja o aspecto temporal, pois a tristeza sempre nos coloca a dúvida pessoal de quanto tempo ainda nos resta para buscarmos a felicidade, já que até agora temos fracassado. A essência deste processo é uma dívida eterna em relação ao passado, e é exatamente o que a tristeza manifesta na sua totalidade. A pessoa sente que tudo aconteceu por ter permitido que outras pessoas entrassem a fundo em sua vida, podendo a partir deste momento tornar-se totalmente introvertida e avessa a novos contatos pessoais.

Como em nossos tempos atuais, a prioridade há muito tem sido o aspecto material, nosso lado emocional a cada dia vai se sensibilizando não em um aspecto positivo, mas a falta de seu uso, digamos assim, faz com que sejamos constantemente contaminados pelas emoções humanas mais negativas. Este é um processo de compensação, pois a atrofia emocional não exacerba apenas a sensação de carência, mas torna a todos cada vez mais vulneráveis às seqüelas de determinadas vivências negativas.

Pensa-se muito sobre a tristeza como a ausência de dinheiro, afeto, poder etc. Isto é absolutamente incompleto, sendo que dito sentimento é a gradativa perda de responsabilidade ou negligência para com o prazer do outro e de si próprio;gerando um vácuo no desenrolar dos relacionamentos. A tristeza é uma espécie de bússola que nos dirá qual é a área mais afetada;ambição desmedida,falta de real investimento afetivo,complexo constante de inferioridade pessoal. Obviamente a perda de controle pelo citado acima levará inevitavelmente a pessoa à depressão.

Outrora já havia alertado em outro estudo sobre o medo, de que determinadas emoções humanas são não apenas um alerta, mas talvez o último refúgio de um modo de vida totalmente desumanizado. O medo,inveja,tristeza e depressão estão dominando cada dia mais nossa alma, e pouco temos feito a respeito desta situação catastrófica. Já presenciei por diversas ocasiões em terapia, o paciente simplesmente abandonar a mesma por não tolerar a idéia de ser alguém diferente, desejando com esta atitude comprometer o próprio psicólogo; preferindo se arruinar a conceder ao outro o poder de realizar um trabalho satisfatório. Agora pensemos como este processo terapêutico citado pode ser transportado para as relações diárias. Não demorará a descobrirmos que esta situação de genuína "sabotagem", vem se alastrando em todos os setores. Se fizéssemos uma história do desenvolvimento das emoções e sentimentos da humanidade, descobriríamos que talvez alcançamos um dos níveis mais baixos e medíocres de realização pessoal e coletiva.

Nosso sistema de valores insiste em divinizar o egoísmo e individualismo, sendo que nunca foi fato tão notório, de que nossa plena satisfação depende inicialmente do bem estar do outro. A tristeza passa também pela perda da capacidade inata do ser humano da solidariedade. Nosso sentido da vida cai pela metade, quando descobrirmos que nossos esforços são totalmente egóicos, embora esta mensagem caia absolutamente no vazio, em virtude do esforço e necessidade constante de se ganhar dinheiro. Porém, a reflexão é vital, se desejarmos evitar um estado de infelicidade generalizada. As coisas melhorariam um pouco, se cada um de nós admitisse a necessidade de aprendermos como se importar profundamente com alguém.

A maior corrupção da história da humanidade, foi à apropriação de um dos mais genuínos sentimentos humanos;a solidariedade, pela religião. O confinamento da bondade agregadas a um conjunto de crenças e rituais, teve o sentido histórico de minimizar o potencial de mudança do ser humano, abafando qualquer manifestação contra determinadas injustiças, ou tentativas de rebelião.

Como disse acima, psicologicamente a criança é treinada desde cedo à jamais dar valor a sua afetividade, ficando apenas com o trauma de sua fragilidade perante a sobrevivência. É instalado na criança o sentimento de culpa, pelo sacrifício econômico feito pelos pais em função da mesma. Embora estas considerações sejam um tanto óbvias, é importante frisar que o maior poder de uma criança é seu afeto, ternura e emoção, fatos muitas vezes negligenciados pelos adultos, reforçando desde cedo na mesma, a ambição e treino para a vida material. Sendo assim, determinada pessoa se torna egoísta quando descobre que não irá receber facilmente determinadas coisas, fechando-se em seu ego, e vendo todos ao redor como eternos rivais ou competidores. Esta crença internalizada desde a tenra infância, marca a cristalização da tristeza na alma da pessoa, pois a mesma foi treinada para nunca valorizar o seu eu, mas tão somente suas habilidades materiais.

Não é difícil perceber em nossos tempos, como a miséria humana ou doença mental está muito mais próxima do que imaginamos. Infelizmente insistimos muitas vezes em ilusões românticas, que acabam na maioria das vezes potencializando nossa tristeza. O fato é que fomos treinados para o egoísmo, mas pela mais pura ironia do destino ou contradição, uma das coisas mais difíceis para todos, ainda é trabalhar o "não". Ficamos estupefatos, perplexos e desnorteados perante a rejeição. Não sabemos como lidar com a mesma, pois nunca tivemos tal treino. Lidar com a recusa é fundamental, principalmente para aprendermos a selecionar o que realmente teve ou não valor. Como disse anteriormente, a atrofia emocional de nossa era, exacerba uma sensibilidade que fica fora de controle ou transbordando o tempo todo; a questão da dificuldade de lidar com o "não" se insere neste contexto, pois como a cada dia estamos mais fragilizados, as recusas só reforçam ainda mais a baixa autoestima. O desafio quase que diário para todo e qualquer ser humano é entender e trabalhar a frustração, sendo que não precisamos caminhar muito para encontrarmos obstáculos.

Cabe uma pergunta preciosa acerca da gênese da tristeza;se nossa sociedade venera o hedonismo, satisfação e consumismo desenfreado, por que o reforço constante que uma pessoa emprega em sua mágoa ou tristeza? O que se ganha sofrendo? Embora todas as correntes da psicologia sempre disseram dos chamados benefícios secundários da neurose, como por exemplo: mais atenção, cuidado,mimos; penso que a resposta ainda não está clara. Todo psicólogo assiste diariamente determinado paciente não apenas reforçar seu sofrimento, mas também em hipótese alguma abrir mão do mesmo, utilizando todos os estratagemas, incluindo o abandono da terapia. O fato é que esta pessoa perdeu uma soma de tempo considerável, construindo seu mundo pessoal de aflição, não desejando encarar tal conclusão; sendo extremamente doloroso admitir que perdeu tempo precioso na busca de seu caminho de satisfação.

Temos de entender que o desespero sempre comove, pois como nossa capacidade solidária, há muito se encontra trancafiada, necessitamos de experiências drásticas de tragédias ou miséria coletiva, para fazermos o que devia ser regular. Nossa solidariedade com o sofrimento alheio quase sempre é hipócrita, escondendo um desejo oculto pelo outro estar na pior, e todos nós sabemos de tal fato. A prova é que o assistencialismo nunca resolveu de fato as carências ou necessidades dos mais excluídos. A solução deveria passar pela amizade ou solidariedade genuína, ajudando a pessoa a resgatar seu poder pessoal. Este é o elemento central, pois de nada adianta ajudar determinada pessoa a superar sua tristeza, se não lhe devolvermos o aprendizado de como lidar efetivamente com suas dificuldades profundas.

Voltando para as raízes psíquicas da tristeza, e frisando o conceito citado anteriormente, não podemos deixar de associar a primeira com a questão da sensibilidade. Talvez algum dia, quando as ciências trabalharem em conjunto, venhamos a descobrir como existe uma perfeita lógica na questão sentimental. Afirmo tal fato, pois nada é mais preciso ou matemático na existência humana do que a questão da sensibilidade, sendo que nosso desafio é colocar a mesma no lugar certo. Todos os conflitos psíquicos advêm do desvio deste potencial humano, que imperativamente tinha de estar disponível para a afetividade. Porém, a repressão que a educação familiar e social impõe ao fluxo natural da emoção da criança, geram o medo, que desviará todo o potencial citado para esferas sombrias das emoções humanas, como por exemplo: depressão,tristeza profunda,mágoa, etc. A conseqüência direta do medo é um conflito insuportável para a pessoa entre o temor de ser independente,procurando sempre ser amparada em todos os aspectos;se utilizando inclusive da doença para tal finalidade; ou o ódio e vazio que sente por tão cedo terem lhe retirado o amparo familiar, tornando-se independente, mas com rancor e mágoa como conseqüência de tal histórico.

Geralmente ambos os grupos citados anteriormente, tem como característica básica de personalidade, impor toda a sua solidão pessoal para todas as pessoas que encontrarem no decorrer de suas vidas;como uma espécie de vingança contra seu sentimento de inferioridade que o martiriza diariamente. Estas pessoas fazem questão de passarem desapercebidas perante os verdadeiros "tesouros" que possuem; se tornando retraídas, ciumentas e possessivas. No lado sentimental, impõe ao parceiro uma eterna espera pela doação de seu lado afetivo; sendo o ganhar tempo, característica básica de conduta.

Embora muitas vezes sofremos com determinado relacionamento, sabemos que a perda do mesmo pode nos custar ainda mais caro.Por pior que seja a situação, o sofrimento sempre aumenta num primeiro momento após o fim de determinado envolvimento. O maior obstáculo para qualquer tipo de mudança é a desconfiança quase que absoluta em nosso potencial,gerando um receio imenso sobre se conseguiremos novamente construir algo; se os eventos estarão ou não a nosso favor;se o destino ainda poderá nos reservar um mínimo de satisfação perante todo o pesadelo diário em que muitas pessoas vivem.




"NÃO TEMA A TERAPIA, MAS A UTILIZE PARA A MUDANÇA DE UM ESTILO DE VIDA QUE PARECE NÃO TER FIM."

POR RAZÕES ÉTICAS, QUALQUER ORIENTAÇÃO SÓ É POSSÍVEL PESSOALMENTE ATRAVÉS DE CONSULTA PSICOLÓGICA.



Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo - C.R.P: 31341/5
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